Conquista: Preservação do Meio Ambiente e Descarte de Resíduos Sólidos é debatido na Câmara

by Redação . Expressão Bahia | 02/05/2017 14:10

A Câmara Municipal de Vitória da Conquista realizou, na manhã desta terça-feira, 2, uma audiência para tratar sobre o meio ambiente e os resíduos sólidos em Vitória da Conquista. A audiência foi solicitada pelo vereador Jorge Bezerra (SD) e contou com a presença do poder público municipal e empresas privadas que realizam o serviço de limpeza e descarte desses resíduos.

Jorge Bezerra (SD)

Para o vereador Jorge Bezerra (SD), a questão de resíduos sólidos em Vitória da Conquista é um problema sério. Segundo o vereador, apesar da coordenação de limpeza da prefeitura estar fazendo um trabalho brilhante, alguns cidadãos não contribuem e fazem o descarte de lixo em terrenos baldios e até mesmo em praças. “O que se gasta para recolher esses resíduos daria para fazer outras coisas para a cidade. Precisamos de um trabalho de conscientização com a população”, defendeu. Jorge Bezerra acredita também que a realização desta audiência irá trazer bons frutos: “ é de fundamental importância essa debate e iremos buscar soluções”.

Wesley Brito

O ambientalista Wesley Brito destacou que o tratamento dos resíduos sólidos precisa receber mais atenção e do desenvolvimento de políticas públicas que promovam avanços nesse quesito em Vitória da Conquista. Ele apontou que os resíduos sólidos precisam ter gerenciamento para que as reservas naturais da cidade não sejam prejudicadas.

Ele reconheceu que a cidade avançou com a construção do aterro, mas ponderou que a cidade ainda sofre por não ter gerenciamento de resíduos sólidos, principalmente provenientes da construção civil. Wesley chamou atenção para a quantidade de resíduos sólidos produzido em Vitória da Conquista. Segundo ele, uma das sete empresas de coleta de entulho da cidade, sozinha, recolhe 116 toneladas por mês.

João Paulo Silva

O representante do projeto Recicla Conquista, João Paulo Silva, contou que faz parte do projeto desde o seu início, em 2014 e acompanhou todo o processo. Apesar de ser funcionário do programa, João Paulo acredita que ele não atende as demandas da cidade. “ Mais de 10 anos que existe essa iniciativa, mas não teve o sucesso esperado”, disse. Ele aponta que a resistência dos catadores para se organizarem em cooperativa como causa principal para esse insucesso. O funcionário público falou também sobre a lei nacional de resíduos sólidos. Sobre essa questão, ele comentou: “Vitória da Conquista ainda não cumpre o que é previsto, até mesmo o aterro que temos, no meu ponto de vista como profissional da área, está longe de ser uma aterro sanitário adequado”. João Paulo pediu ainda que todos tenham consciência de levar esta discussão a diante.

Kaliany Gonzaga

A defensora pública Kaliany Gonzaga parabenizou a Casa por realizar a discussão sobre o tema, que ela apontou ser muito importante. Segundo ela, a Defensoria pública já constatou que o aterro de Vitória da Conquista tem vida útil curta e precisa ser preservado. “Nós devemos sim nos preocupar com ele”, disse ela.

O aterro sanitário de Vitória da Conquista, apontou Gonzaga, recebe diariamente 290 toneladas de lixo e boa parte desse material poderia ser aproveitado pela reciclagem, preservando o aterro. Ela alertou que cerca de 35% do lixo gerado pela cidade deveria ser reciclado e 14% deveria ser encaminhado para compostagem, pois são resíduos orgânicos e são indevidamente encaminhados para o aterro sanitário.

Ela explicou que, cooperando com a preservação do aterro sanitário, a Defensoria Pública estabeleceu o projeto “Mãos que Reciclam”, que valoriza e estimula a ação dos catadores de lixos recicláveis.

De acordo com a defensora, consumidores e comerciantes precisam se conscientizar de que precisam separar o lixo reciclável e o lixo orgânico para que a coleta seletiva seja realizada. Ela apontou que a realização de coletas seletivas e implantação de sistema de compostagem para os resíduos orgânicos, de modo que a responsabilidade é compartilhada por todos.

Esmeraldino Correia

O secretário municipal de Serviços Públicos, Esmeraldino Correia, apontou em sua fala os principais problemas na cidade hoje, entre eles a questão dos resíduos sólidos, transporte públicos, iluminação. Mas especificamente em relação a limpeza pública, o secretário afirmou que Vitória da Conquista é carente de educação ambiental. “ É uma cidade mal educada, vamos limpando e o pessoal vem sujando”, lamentou. Esmeraldino falou também sobre os carroceiros da cidade “Eles precisam se adaptar, sei que são homens humildes, mas eles saem de forma continuada sujando a cidade”, afirmou. Ainda sobre o carroceiros, informou que estes receberão 20h de aula para ter acesso as devidas orientações. Dentre as outras ações da Secretaria de Serviços Públicos citadas estão a Equipe Padrão, responsável por roçar e limpar a cidade, a operação Cata Bagulho – segundo o secretário já foram coletados 81 toneladas nos mutirões realizados, Ponto de Entrega Voluntária – oito pontos já em funcionamento e a limpeza de canais pluviais. Para Esmeraldino o desafio está posto para todos “ É preciso uma comunidade consciente sobre a limpeza para ter uma comunidade sabia”, finalizou.

Dra Luzia Vieira

A secretária Municipal de Meio Ambiente, Dra Luzia Vieira, disse que o Governo Municipal se preocupa com a questão dos resíduos sólidos na cidade. Ela citou as ações da sua pasta no sentido de educar a população sobre o descarte de lixo. “A Secretaria de Meio Ambiente tem se preocupado muito com esse assunto”, assegurou ela, explicando que são realizadas palestras em escolas e bairros sobre o tratamento e seleção do lixo.

Carlito Viana Ladeia Rocha

Carlito Viana Ladeia Rocha, representante da empresa Disk Entulhos, explicou que a empresa trabalha com resíduos a cerca de 20 anos e coleta em média 700 toneladas por mês. Carlito apontou que o poder público dificuldade em relação aos locais de descarte, o que dificulta o cumprimento de prazos para o descarte. Após informar que a empresa faz trabalho também com supermercados e que firmou um convênio com uma Empresa de Recife para atender o Bom Preço com o trabalho de coleta e de compostagem, Carlito solicitou a prefeitura um local adequado para fazer isso. “ Esse lixo irá virar no prazo de 48h em material orgânico para adubo”, explicou. Outro serviço também prestado pela empresa está a coleta em hospitais. “ Fazemos o trabalho de coleta de luz fluorescente para fazer o descarte correto, mas isso nos hospitais privados. A própria prefeitura não faz isso assim”, disse. Carlito sugeriu a prefeitura a realização de um trabalho semelhante ao realizado em Caculé, cidade vizinha, de convecção de vassoura com garrafa pet. “Com menos de cinco mil reais a prefeitura consegue montar uma empresa dessa”, afirmou.

Guilherme Marques

O representante da Secretaria de Mobilidade Urbana, Guilherme Marques, disse que a secretaria tem trabalhado na fiscalização a fim de evitar que calçadas e ruas sejam obstruídas por lixo e entulho. Segundo ele, é necessário fazer ações de educação da população, pois ele aponta que essa é uma questão que envolve a conscientização dos cidadãos quanto à importância de

Poliana dos Santos Aguiar

A representante da Torre Empreendimentos, empresa de limpeza e conservação, Poliana dos Santos Aguiar, defendeu que, primeiramente, as pessoas precisam ser instruídas e conscientizadas, seja ele do estabelecimento comercial, seja da escola ou residência. “ Aquilo que a gente produz vai para um local e que local é esse? As pessoas não tem esse conhecimento específico”, disse. Polina disse também que por muitas vezes as pessoas deixam de colocar os resíduos em frente de sua casa para a coleta e colocam em terrenos baldios porque acreditam que esse é o correto. Já em relação voltada a segurança do trabalho, a representante da empresa, afirmou que todos os seus funcionários são instruídos e preparados, conscientes dos risco da falta de proteção e equipamentos adequados. Mas acredita que essa conscientização precisa ser voltada para toda a população . “ É preciso que na hora do descarte as pessoas pensem naqueles trabalhadores que vão recolher esse lixo e podem ser cortados com cacos de vidro, por exemplo”, completou. (Fonte: Site CMVC)

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