Capoeirista esfaqueado em Salvador foi morto após dizer que era contra Bolsonaro, diz SSP

Capoeirista esfaqueado em Salvador foi morto após dizer que era contra Bolsonaro, diz SSP
08 outubro 17:09 2018 Imprimir

 O mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, que foi morto em Salvador, na madrugada desta segunda-feira (8), foi esfaqueado após dizer ao suspeito do crime, identificado como Paulo Sérgio Ferreira de Santana, que era contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL).

Conforme a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), durante uma conversa em um bar da localidade do Dique Pequeno, que fica no Engenho Velho de Brotas, a vítima, que tinha 63 anos, se mostrou contrária à posição política do suspeito, que se aproximou do grupo em que ele estava para dizer que era eleitor de Bolsonaro.

Segundo informações da SSP, o suspeito, que tem 36 anos, reagiu com violência após ouvir o mestre de capoeira afirmar que o grupo com o qual ele estava votava no PT. Em seguida, Paulo saiu do bar e foi em casa, onde pegou uma faca do tipo peixeira e depois retornou para o local onde Moa estava e esfaqueou o capoeirista.

Um outro homem que estava no local, identificado como Germínio do Amor Divino Pereira, de 51 anos, que é parente de Moa, foi atingido no braço e levado para o Hospital Geral do Estado (HGE). Ele ainda está internado. Não há detalhes do estado de saúde dele.

O suspeito fugiu por um beco, mas foi preso pela Polícia Militar logo após o crime. Os PMs foram acionados por testemunhas do crime. Na busca, os policiais avistaram um rastro de sangue que levava até uma casa. Ao entrarem no imóvel, eles encontraram o suspeito escondido no banheiro. Conforme relatou a PM, o homem já estava com uma mochila, no intuito de fugir.

O autor do crime também foi levado para o HGE para ser medicado, pois estava com um corte no dedo, e depois apresentado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Em coletiva realizada na tarde desta segunda, o governador reeleito, Rui Costa, disse que pediu uma apuração rigorosa da polícia sobre o caso. “Eu pedi prioridade absoluta para elucidar esse crime, e eu espero que o segundo turno seja da paz e de respeito de opiniões”, afirmou.

Segundo a polícia, Paulo Sérgio confessou o crime, e, em depoimento, afirmou que ele entrou em luta corporal com o mestre de capoeira antes dele esfaquear a vítima. “Ele [Paulo Sérgio] disse que no momento em que ele voltou para o bar, ele se embolou com a vítima. As testemunhas não confirmam essa versão. Inicialmente eles discutiram por divergência política”, disse a delegada Milena Calmon, que investiga o caso.

Ainda conforme a polícia, o suspeito ainda disse que foi xingado e que estava consumindo bebida alcoólica desde o início da manhã de domingo. A polícia informou que ele disse que estava arrependido de ter cometido o crime.

“Vamos ouvir outras testemunhas que nos ajudarão a esclarecer totalmente o caso”, informou Milena Calmon. A polícia informou que Paulo tinha envolvimento com outros dois casos de discussões, em 2009 e 2014, mas não detalhou as situações.

Luto

Moa vai ser enterrado na tarde desta segunda, em Salvador. A família está inconformada com crime. A filha do mestre de capoeira, Amonái da Costa, disse que o pai era uma pessoa calma e evitava brigas.

“Ele não procurava briga com ninguém, era uma pessoa que apaziguava as situações, um historiador que trabalhava com cultura e música. Eu perdi minha mãe tem um mês, e ele estava me acalmando. Uma pessoa que estava me dando força para eu poder vencer”, disse.

A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) divulgou uma nota de repúdio sobre o caso do mestre de capoeira Moa do Katendê.

“A Bahia está de luto pela morte do Mestre Moa, honra e glória da cultura negra de nossa terra”, disse”, diz a nota.

Fonte: G1



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