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O que se sabe sobre a inundação provocada pelo rompimento da barragem do Quati, na Bahia

inundação provocada pelos rompimentos da barragem do Quati, que fica em Pedro Alexandre, no nordeste da Bahia (perto da divisa com Sergipe) e de outros pequenos açudes da região, completa uma semana nesta quinta-feira (18).

Não houve mortos e nem feridos. No entanto, o acidente deixou cerca de 470 pessoas desabrigadas e mais de 2,7 mil desalojadas no município e na cidade vizinha de Coronel João Sá (que fica a 45 km) .

Conforme a Superintendência de Defesa Civil da Bahia (Sudec), o número de desabrigados (80) e desalojados (760) em Pedro Alexandre permanece o mesmo desde a segunda-feira (15). Já em Coronel João Sá, a mais atingida pela enxurrada, o número de desabrigados subiu de 310 para 390 e o de desalojados reduziu de 2.090 para 2.010, aponta levantamento divulgado na quarta-feira (17).

Somente em Coronel João Sá, de acordo com o Secretário de Comunicação da prefeitura, Waldomiro Júnior, 14,4 mil pessoas foram afetadas com a inundação (quase toda a população da cidade, que tem cerca de 17 mil habitantes), seja com as casas alagadas, ou com perda de bens materiais, como eletrodomésticos.

Veja o que se sabe sobre o rompimento da barragem:

Moradores de Coronel João Sá na sexta-feira, após Corpo de Bombeiros determinar evacuação da cidade por risco de novos rompimentos em barragens. — Foto: Alan Tiago Alves/G1

Moradores de Coronel João Sá na sexta-feira, após Corpo de Bombeiros determinar evacuação da cidade por risco de novos rompimentos em barragens. — Foto: Alan Tiago Alves/G1

O que provocou a inundação?

O rompimento da barragem do Quati ocorreu no dia 11 de julho. Na sexta-feira (12), a Superintendência de proteção e Defesa Civil da Bahia informou que o rompimento da barragem do Quati tinha sido em decorrência da ruptura de outros açudes menores na região, entre elas a de Serra Verde e a do Ronco Gibão, localizadas em propriedades rurais, por conta das fortes chuvas.

A região, segundo o governo do estado, tem centenas de represamentos de água, a maioria em áreas particulares, que são criados por fazendeiros e associações e usados para abastecer casas, irrigar plantações e servir a animais.

Bombeiros em Coronel João Sá, quando a água tomava a ponte na de sábado (13). — Foto: Alan Tiago/G1

Bombeiros em Coronel João Sá, quando a água tomava a ponte na de sábado (13). — Foto: Alan Tiago/G1

Com o colapso das estruturas, o volume de água foi muito grande e acumulou na barragem do Quati. A estrutura não suportou a quantidade de água e acabou rompendo. A água que vazou das barragens seguiu o curso do Rio do Peixe, que transbordou e inundou as casas que ficam à sua margem, em Pedro Alexandre e Coronel João Sá.

O percurso do rio entre as duas cidades tem cerca de 80 km. A cidade de Coronel João Sá foi a mais atingida pela inundação, porque fica em uma altitude mais baixa que Pedro Alexandre.

O que se sabe sobre a barragem do Quati?

Imagens aéreas da barragem que se rompeu na Bahia

Imagens aéreas da barragem que se rompeu na Bahia

A barragem do Quati foi construída pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e entregue em novembro de 2000 à Associação de Moradores da Comunidade do distrito. Ela represa água do Rio do Peixe para o período de estiagem na região.

O governo do estado disse que, como se trata de uma barragem pequena, não se enquadra na lei de segurança de barragens e, portanto, não caberia ao governo fiscalizar. O monitoramento, segundo o governo, caberia ao município. A prefeitura de Pedro Alexandre informou que o rompimento foi provocado pela grande quantidade de chuva na região e que não tinha como evitar.

Lama espalhada pela cidade de Coronel João Sá, na manhã desta sexta-feira (12). — Foto: Alan Tiago/G1

Lama espalhada pela cidade de Coronel João Sá, na manhã desta sexta-feira (12). — Foto: Alan Tiago/G1

Na zona urbana de Coronel João Sá, onde vive 60% da população, cerca de 10 ruas da parte baixa, as mais próximas do rio, ficaram embaixo d’água. Nas casas mais atingidas, a água chegou a cerca de 1,5 m de altura. Muitas das pessoas afetadas foram abrigadas em espaços públicos, como escolas municipais e ginásios.

No cemitério da cidade, que fica às margens do rio, também houve estrago. Segundo a prefeitura, várias covas afundaram, e muros, paredes de mausoléus e crucifixos caíram.

Vera Lúcia dentro da casa onde morava com a família, em Coronel João Sá, na sexta (12). — Foto: Alan Tiago/G1

Vera Lúcia dentro da casa onde morava com a família, em Coronel João Sá, na sexta (12). — Foto: Alan Tiago/G1

Em Pedro Alexandre, cerca de 1.500 casas ficaram sem abastecimento de água por causa da enxurrada. Algumas casas têm reservatórios de água, mas a maioria dos moradores da cidade enfrenta dificuldades para tomar banho, lavar roupa, fazer comida.

De acordo com informações da Embasa, técnicos da empresa trabalham desde o dia do rompimento para solucionar o problema. A expectativa é que o restabelecimento completo do fornecimento de água ocorra até esta quinta-feira.

Desabamento parcial em uma casa em Coronel João Sá, na manhã desta sexta-feira (12). — Foto: Alan Tiago/G1

Desabamento parcial em uma casa em Coronel João Sá, na manhã desta sexta-feira (12). — Foto: Alan Tiago/G1

Doações

O Secretário de Comunicação da prefeitura de Coronel João Sá, Waldomiro Júnior destacou que, além dos perecíveis, a população afetada necessita de eletrodomésticos como fogão e geladeira. Com relação às casas, ele informou que a gestão municipal doou um terreno na cidade para a construção de novas residências.

Três salas do prédio onde funciona o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) foram separadas para abrigar doações que chegam a todo instante para as pessoas atingidas pela enchente em Coronel João Sá. Além disso, segundo a prefeitura, uma casa ao lado foi emprestada pelo dono para também servir como depósito de doações.

Três salas do prédio onde funciona o Centro de Referência de Assistência Social foram separadas para abrigar doações. — Foto: Alan Tiago Alves/G1

Três salas do prédio onde funciona o Centro de Referência de Assistência Social foram separadas para abrigar doações. — Foto: Alan Tiago Alves/G1

A prefeitura informa que quem quiser contribuir pode levar donativos para o CRAS, situado na Praça ACM.

Ações do governo

No domingo, após sobrevoar a região, o governador da Bahia, Rui Costa, anunciou que as casas que foram construídas próximas ao Rio do Peixe, na região afetada, serão demolidas. A demolição dos imóveis, segundo Costa, visa aumentar a segurança dos moradores dessas residências que foram erguidas muito próximas ao Rio do Peixe.

Governador da Bahia, Rui Costa, visitou Coronel João Sá na desta sexta-feira (12). — Foto: Alan Tiago Alves/ G1

Governador da Bahia, Rui Costa, visitou Coronel João Sá na desta sexta-feira (12). — Foto: Alan Tiago Alves/ G1

A cidade de Coronel João Sá vai receber ajuda humanitária da União. A informação foi confirmada por Carlos Sobral, prefeito da cidade, nesta terça-feira (16).

Conforme o gestor, uma quantia de R$ 265.346 será destinada à compra de produtos básicos, como colchões, kits de higiene e de limpeza, travesseiros, cobertores, entre outros. O recurso, que vai ser administrado pela Defesa Civil da cidade, deve ser liberado após a abertura de uma conta bancária.

Cronologia dos fatos

11 de julho (quinta-feira)

  • Barragem do Quati, em Pedro Alexandre, se rompe, pela manhã;
  • Prefeitura de Coronel João Sá faz alerta de enchente e pede para cerca de 120 famílias que moram às margens do Rio do Peixe deixarem os imóveis;
  • A água que vazou da barragem seguiu o curso do rio e chegou a Coronel João de Sá, por volta das 15h30;
  • Ponte (de cerca de 10 metros de altura) que que liga o centro da cidade de Coronel João Sá a povoados da zona rural fica submersa e deixa moradores ilhados;
  • Prefeituras de Pedro Alexandre e Coronel João Sá decretam situação de emergência;
  • Moradores que precisaram deixar casas e são alojadas em escolas;
  • Governo do estado envia equipes do Corpo de Bombeiros, técnicos da Defesa Civil Estadual e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) à região

12 de julho (sexta-feira)

  • Governo da Bahia, que inicialmente havia dito que houve apenas um transbordamento da barragem, admite rompimento da estrutura;
  • A água começa a escoar das ruas da parte baixa da cidade de Coronel João Sá;
  • Por volta das 11h20, bombeiros começam a atravessar a ponte com os moradores [dois a três por vez]
  • Governo Federal reconhece situação de emergência em Pedro Alexandre e Coronel João Sá;
  • Bombeiros e Defesa Civil começam a interditar imóveis com risco estrutural;
  • Moradores iniciam campanha de doação para desalojados pelas redes sociais;
  • Defesa Civil sobrevoa região e diz que rompimento da barragem do Quati aconteceu após a ruptura de outros dois açudes menores;
  • Bombeiros ampliam área isolada em torno de rio em Coronel João Sá por risco de novas barragens se romperem
  • Governador Rui Costa visita cidade de Coronel João Sá;
  • Técnicos do governo orientaram 80 famílias a deixarem as casas, por precaução, em razão do risco do rompimento de outra barragem em Pedro Alexandre, a que fica no povoado de Boa Sorte;
  • Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaura inquérito civil para apurar rompimento de barragem e responsáveis;
  • Nível da água do Rio do Peixe volta a subir, durante a madrugada, e ponte que ligar centro de Coronel João Sá a zona rural é novamente interditada, por volta das 6h;
  • Defesa civil informa que aumento do volume de água do rio ocorreu após ser realizado trabalho de rebaixamento do nível do sangradouro na barragem Boa Sorte, em Coronel João Sá, para evitar o rompimento da barragem;
  • Nível da água baixa e travessia em ponte é liberada pelos bombeiros, por volta das 12h30.
  • À tarde, Corpo de Bombeiros Militar e a Defesa Civil descartaram risco de rompimento da barragem localizada no povoado de Boa Sorte, em Pedro Alexandre.
  • Governo divulga que Pedro Alexandre e Coronel João Sá estavam com 400 pessoas desabrigadas e 1.500 desalojadas;
  • Prefeitura de Pedro Alexandre diz que cidade registrou maior tragédia em 57 anos de emancipação;

14 de julho (domingo)

  • Governador Rui Costa diz que Casas próximas a rio da região atingida por rompimento de barragem na BA serão demolidas e reconstruídas em locais mais seguros;

15 de julho (segunda)

  • Prefeitura de Coronel João Sá divulga balanço que aponta que subiu para 2.080 o número de desalojados na cidade;

16 de julho (terça)

  • Prefeitura de Coronel João Sá anuncia que vai receber R$ 265 mil como ajuda humanitária da União;
  • Prefeitura de diz que cerca de 300 animais atingidos pela enchente foram atendidos em Coronel João Sá por grupo que faz parte do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais, que chegou para prestar apoio ao conselho da Bahia.

17 de julho (quarta-feira)

  • Embasa informa que cerca de 1.500 casas estão sem abastecimento de água na cidade de Pedro Alexandre, por causa da enxurrada provocada pelo rompimento da barragem do Quati.
  • Superintendência de Defesa Civil da Bahia (Sudec) diz que número de desabrigados (80) e desalojados (760), em Pedro Alexandre, permanece o mesmo desde a segunda-feira e que, em Coronel João Sá, levantamento aponta que o número de desabrigados subiu de 310 para 390 e o de desalojados reduziu de 2.090 para 2.010.

Fonte: G1

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