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Curada da Covid-19, Preta Gil diz: ‘o isolamento social não precisa ser afetivo

De volta a sua casa no bairro de São Conrado, Zona Sul do Rio, após 16 dias de quarentena em um hotel, em São Paulo, Preta Gil está curada da contaminação pela Covid-19. Mas lições e lembranças do período de confinamento ainda reverberam dentro da cantora, como a ligação que recebeu um dia do gerente do hotel, perguntando “quando ela iria embora, pois outros hóspedes e moradores estavam incomodados”. Por outro lado, Preta também lembra com carinho das mensagens e presentes deixados em sua porta.
Durante o isolamento, a artista se viu desnorteada em meio às primeiras informações e debates confusos na esfera pública sobre o corona. Para se fortalecer, lançou de uma trinca poderosa, segundo ela mesma classifica.
– Eu ando com duas bonequinhas de crochê: uma de Nossa Senhora Aparecida e outra de Irmã Dulce. Sou filha de Oxum e estava sem uma imagem dela, mas um amigo do Rio me enviou de presente e consegui me amparar nas três. Foram me dando refresco e força no período de isolamento. Eu tinha um certo sentimento de “autoculpa” por estar contaminada – relembra Preta.
Ela conta ainda que fez orações (on-line) com padres, pastores, pais de santos… Um sincretismo que rege sua vida e que, segundo a cantora, deveria ser a tônica do momento. Se não há vacina para o coronavírus, o amor pode ser um remédio importante em tempos de pandemia.
– Se você conhece alguém que está contaminado, um amigo, um vizinho… Prepare uma comida e deixa na porta da casa dele. Mande flores, envie mensagens, demonstre carinho. O psicológico pode ser tão fatal quanto o próprio vírus. O isolamento social não precisa ser também afetivo – analisa.
Em sua nova rotina, Preta vem praticando fisioterapia respiratória e tendo acompanhamento de uma otorrinolaringologista para avaliar os efeitos deixados pela Covid-19. E enquanto seu corpo se recondiciona ao verdadeiro furacão pelo qual passou, a cantora espera que soprem novos ventos sobre nossa sociedade.
– Vejo muita gente dizendo que não vê a hora de tudo voltar ao normal. Mas não podemos justamente voltar àquilo que achávamos normal. Estávamos muito acelerados, e eu sei que o sistema funciona assim, nos obrigando a girar em torno do consumo desenfreado, por exemplo. É preciso repensar prioridades, e a primeira delas deve ser a nossa saúde – acredita a artista, que se considera uma “privilegiada”.
Diagnosticada com a Covid-19 após se apresentar no casamento da irmã da influencer Gabriela Pugliese, Preta pondera que não chegou a ser hospitalizada, mas tem amigos que estão internados em estado grave. Diante deste cenário, a cantora acredita que é hora de tomar consciência do verdadeiro “renascimento” ao qual foi submetida. E também hora de livrar das pressões.
Em meio ao período de quarentena, é crescente o número de transmissões ao vivo nas redes sociais, com shows, dicas, leituras de obras consagradas, cursos e outras propostas que tentam dar ares de normalidade à rotina. No entanto, Preta alerta para um novo cuidado que deve existir aos que se expõem a estes conteúdos.
– Por favor, não é pra você ficar se remoendo porque ainda não fez uma receita de bolo, ainda não malhou, ainda não aprendeu francês! Que essa quarentena sirva justamente para repensarmos nossa existência e nos tornarmos mais contemplativos – apela.
Entre os conteúdos virtuais da quarentena está o festival #tamojunto, do qual já participou Fran, filho de Preta Gil. Ele está confinado em casa, na Gávea, com a mulher, Laura, e a filha, Sol de Maria, enquanto o patricarca, Gilberto Gil, está em Araras. Já Preta vem tendo contato com todos pelas redes sociais, domando a saudade com um comportamento sensato diante da situação delicada que enfrentamos.
– Sou muito agarrada com a Sol, só tenho visto por vídeo. Mas até essa saudade eu aprendi a ressignificar. Eu estou bem aqui, ela está protegida lá e, quando tudo isso passar, vamos estar juntas para nos abraçarmos. Sem sofrimento – diz a avó coruja, mas consciente.
Uma consciência, aliás, que Preta torce para que seja coletiva, apesar de confessar ser testemunha de “máscaras caindo”, quando se refere a muitas pessoas que pregam empatia, mas não vêm colocando o discurso em prática. Sem citar nomes, claro, espera que não seja jamais necessário que alguém seja atingido, direta ou indiretamente pelo vírus, para que possa se despir de privilégios.
– Não é hora de egoísmo. Entendo o pânico, mas hoje já entendemos melhor quem é o nosso inimigo, o que é esse vírus. Então passou da hora de sermos mais amorosos, solidários, afetivos, generosos. Pensar diariamente como ajudar o próximo, transformar isso em exercício. Ser privilegiado não é apenas ser rico, é ter algo que outras pessoas não têm. Seja carinho ou saúde. – finaliza Preta, emocionada.
Fonte: IBahia
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