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Cristo Sertanejo de Mário Cravo é tombado em Vitória da Conquista

No Dia Nacional do Patrimônio Histórico, monumento que se tornou um dos principais símbolos de Vitória da Conquista passa a contar oficialmente com proteção patrimonial. Vitória da Conquista viveu, nesta segunda-feira (17), Dia Nacional do Patrimônio Histórico, um momento emblemático para a preservação de sua memória. O Cristo Sertanejo, obra do escultor Mário Cravo Júnior, foi oficialmente tombado pelo município em uma cerimônia realizada aos pés do monumento, no alto da Serra do Periperi.

Idealizado desde 1963 pelo ex-prefeito José Pedral Sampaio e instalado em 1980 na gestão do então prefeito Raul Ferraz, em uma posição estratégica da serra, o Cristo pode ser visto de diferentes pontos de Vitória da Conquista e também por quem chega à cidade pela BR-116. Ao longo das décadas, a escultura se consolidou como um dos principais símbolos da identidade conquistense e da relação do município com o sertão.

Um Cristo que provoca reflexão

O historiador Fábio Sena, chefe de Comunicação da Câmara Municipal de Vitória da Conquista e membro do Núcleo de Preservação Histórica do município, foi responsável pela proposta de tombamento do monumento. Segundo ele, a importância do Cristo vai além de seu aspecto visual e monumental.

“Esse tombamento é, de fato, um acontecimento histórico. Um dos atos públicos mais importantes, no sentido de que nós estamos preservando, talvez, a principal imagem arquitetônica de Vitória da Conquista, aquela que mais diretamente dialoga com a nossa comunidade”, afirmou.

Para Fábio Sena, o Cristo Sertanejo é uma obra que convida à reflexão sobre a realidade do sertanejo e sobre a fome, tema presente na concepção da escultura. “Não é apenas uma escultura monumental, é um discurso sobre a fome. Vitória da Conquista ganha, em termos de apropriação pública e definitiva, um bem que lhe pertence e que agora será, cada vez mais, preservado”, destacou.

Preservação da memória

Para o presidente da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, vereador Ivan Cordeiro, o tombamento integra um conjunto de iniciativas voltadas à valorização da história e da memória do município.

“O tombamento do Cristo Sertanejo é um reconhecimento da importância que esse monumento tem para Vitória da Conquista e para a nossa gente. Preservar o Cristo é preservar também a nossa memória, a nossa identidade e a história de uma cidade que se transformou ao longo das décadas sem perder suas raízes. A Câmara Municipal tem o compromisso de contribuir para que o patrimônio histórico e cultural de Vitória da Conquista seja valorizado, protegido e conhecido pelas novas gerações.”

Durante a cerimônia, a prefeita Sheila Lemos relembrou uma memória de infância relacionada ao monumento e destacou o significado do Cristo como representação da trajetória e das lutas do povo sertanejo. Eu era criança quando o Cristo foi erguido, mas me lembro de ter me sentado na mão do Cristo, quando ele ainda estava ao chão, para tirar uma foto e foi um momento muito especial pra mim.”

Sheila também ressaltou que a obra representa um povo marcado historicamente pela luta por direitos, pela sobrevivência e pelo acesso à água e à alimentação. Para a prefeita, o tombamento garante que o monumento permaneça como parte da história da cidade e como testemunho de uma realidade que, no futuro, deverá ser apenas lembrada.

“Esse Cristo é uma representação desse povo que tanto luta por seus direitos, luta para não ter fome, luta para ter acesso à água, luta para ter os direitos humanos sendo atendidos. Então essa luta ainda continua”, afirmou.

A esposa de Mário Cravo Júnior, Maria Naponuceno, também participou do momento e agradeceu pelo reconhecimento oficial da obra. Para ela, o tombamento representa uma conquista importante e abre caminho para que a escultura receba maior atenção, cuidados e, quando necessário, processos de restauração.

A partir do tombamento, o monumento passa a contar com proteção patrimonial, reforçando a responsabilidade do poder público na sua conservação e garantindo que suas características históricas e culturais sejam preservadas para as próximas gerações.

A cerimônia marcou, assim, não apenas o reconhecimento formal de uma obra de arte, mas a proteção de um símbolo que há décadas integra a paisagem, a memória afetiva e a identidade de Vitória da Conquista.

Por Andréa Póvoas

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