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‘Exército do Lula’: técnicos do TSE dizem a Nunes Marques que não encontraram conteúdo falso no canal

A área técnica do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informou ao presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, não ter encontrado publicações com conteúdo falso no canal do WhatsApp “Exército do Lula”, comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A alegação foi feita pela campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo os técnicos, algumas mensagens foram apagadas do grupo no dia 7 de setembro, o que dificulta a reconstituição integral do histórico.

“Quanto à circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes, não foram localizadas, entre as publicações do canal no período de 2 a 11 de outubro de 2026, reproduções das afirmações examinadas nos autos. A verificação abrangeu os textos das mensagens, as pré-visualizações de links, inclusive as miniaturas e os títulos dos vídeos vinculados, assim como os áudios transcritos”, informou o documento.

Ainda assim, o relatório aponta duas coincidências temáticas, mas sem confirmação de que correspondam às acusações investigadas:

  • A primeira é uma imagem do X (antigo Twitter) com expressão sobre mudanças na Constituição e direitos, sem acesso ao texto dos posts.
  • A segunda é uma menção rápida a um suposto “pedido de dinheiro” ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dentro de um aviso para ignorarem uma reportagem da Veja.

No Telegram, não foram encontradas as declarações citadas por Flávio.

O grupo ganhou relevância após o presidente Lula (PT) ficar na segunda colocação no primeiro turno e já reunia 3,3 milhões de apoiadores. Na segunda-feira (5), o canal tinha cerca de 55 mil seguidores.

Riscos

No documento, os técnicos citam alguns riscos sobre o impacto do canal no processo eleitoral, entre eles a velocidade de propagação, mobilização orquestrada e missão de orientações sincronizadas de mobilização e dificuldade de reconstituir integralmente o histórico por consulta pública.

  1. O público era acionado por orientações sincronizadas e com horário marcado para inflacionar algoritmos em diferentes plataformas (como subir hashtags ou engajar em vídeos).
  2. Falta de transparência e dificuldade de auditoria: Devido ao apagamento e edição de mensagens, fica difícil para a Justiça e o público reconstituírem todo o histórico do que foi publicado a poucos dias do segundo turno.
  3. Linguagem de guerra versus processo democrático: O uso recorrente de termos militares (“soldados”, “missões”, “exército”, “sangue nos olhos”) e a retórica de “nós contra eles” geram um clima de combate. O relatório alerta que o objetivo das eleições em uma democracia é substituir o confronto violento pelo voto pacífico, e esse tipo de discurso caminha na direção oposta.

Fonte: R7

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