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Psicóloga Anna Luísa fala sobre o Autismo: “Vivemos numa época em que todos os ambientes devem trabalhar com a inclusão, principalmente o ambiente escolar”.

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, 2 de abril, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2007. Essa data foi escolhida com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O autismo é um transtorno no desenvolvimento neurológico da criança que gera alterações na comunicação, dificuldade (ou ausência) de interação social e mudanças no comportamento, sendo geralmente identificado entre os 12 e 24 meses de idade. Para falar um pouco mais sobre o assunto, convidamos a Psicóloga Anna Luísa Lélis L. Badaró Castro , que é Professora do Curso de Psicologia da UNIFG, Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional e em Avaliação Psicológica e Supervisão em Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico Infantil. Confira:
Site Expressão Bahia: Como se dá o diagnóstico do Autismo?
Anna Luísa – Deve ser realizada observação sistemática dos comportamentos da criança e entrevista detalhada com os cuidadores primários (geralmente os pais). Neste caso, o profissional deve conhecer os sinais e sintomas do Autismo para investigar profundamente os dados do desenvolvimento da criança e perceber as alterações.
Também podemos utilizar fotos e vídeos para observar o comportamento da criança, principalmente nos contextos sociais, além de depoimentos e relatórios de professores, cuidadores ou outros profissionais que acompanham a rotina do paciente fora do ambiente familiar. Escalas de avaliação estruturadas podem ser utilizadas, visando fazer o levantamento de sintomas.
De acordo com o sistema de classificação de doenças mentais (DSM 5), é necessário que haja comprometimento nas seguintes áreas do comportamento adaptativo para que seja feito o diagnóstico: linguagem/comunicação; habilidade de interação social/socialização; presença de comportamento repetitivo (estereotipias) e interesses restritos.
O diagnóstico é clínico! Importante destacar que não existem exames que detectam o Autismo.
Site Expressão Bahia: Quais são os diferentes graus do transtorno?
Anna Luísa – O termo “espectro” reflete a ampla variação nos desafios e pontos fortes apresentados por cada pessoa com autismo. O entendimento atual é que não se trata de uma doença, mas de uma condição que pode se manifestar de forma heterogênea – mesmo diagnóstico com estruturas cognitivase comportamentais distintas: o que muda é a intensidade das manifestações e a gravidade do acometimento.
Antes se falava em graus (leve, moderado e severo). Atualmente, esta classificação acontece de acordo com a necessidade de apoio que a criança necessita. Utiliza-se o termo nível, que pode variar de 1 a 3, de acordo com as dificuldades apresentadas.
Site Expressao Bahia: Qual a importância da inclusão de autistas nas escolas regulares e espaços da comunidade de um modo geral?
Anna Luísa – Vivemos numa época em que todos os ambientes devem trabalhar com a inclusão, principalmente o ambiente escolar, pois é ali que o indivíduo é preparado para viver em sociedade. A inclusão é muito mais que o inserir, é mais do que o simples fato de matricular na escola, por exemplo. A inclusão para realmente fazer jus à palavra dita, precisa acompanhar uma preparação da comunidade, pois é o ambiente que deve ser adaptado. No contexto escolar, temos a política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva, e já há leis que determinam esta forma de inserção.
Portanto, além do respaldo legal neste processo da educação inclusiva, é necessário o apoio da sociedade para a inserção social da pessoa com autismo, pois é no convívio social que se prepara para a comportamento
interpessoal.
Site Expressão Bahia: Como todos nós podemos ajudar nesse processo de inclusão?
Anna Luísa – Ouvir o que eles têm a dizer é a primeira coisa a se fazer. Há uma diversidade de quadros de autismo e cada pessoa vai ter necessidades e interesses diferentes. Mas pra quem convive com um autista (seja em casa, na escola ou no trabalho), vale a pena seguir essas dicas:
- Olhar nos olhos, usar expressões faciais e gestos simples.
- Simplificar a linguagem e utilizar a comunicação alternativa para garantir que compreenda o que se
espera dele.
- Conhecer os interesses dos autistas para trabalhar a partir deles.
- Cumprir as promessas e concluir as atividades propostas.
- Manter um ambiente calmo, sem estímulos aversivos.
- Evitar mudanças bruscas de rotina e, quando acontecerem, comunicar ao autista.
- Evitar comentários inadequados e uso de ironias perto do autista.
- Dar tempo para que possa responder.















