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Expressão BahiaGeral

Sinal de alerta: Bahia entre estados que mais vendem antidepressivos

Problemas amorosos, carga de trabalho exaustiva, desemprego, dívidas financeiras, baixa autoestima, sensação de incompetência e incompletude, traumas familiares, abusos, violências, síndromes diversas causadas por estresse e até mesmo o uso abusivo de redes sociais. Atualmente, são diversos os motivos que podem gerar um quadro de depressão na população, todos acentuados com a pandemia.

No Brasil, a busca pelos antidepressivos é tão grande que acendeu o alerta vermelho na medicina e no Ministério da Saúde. Para se ter uma ideia, o número de unidades vendidas de antidepressivos e estabilizadores de humor aumentou 11% no ano passado, em comparação com 2022. Em seis estados, a alta foi de 15% para mais. O campeão em vendas foi a Paraíba, com 17, no entanto, a Bahia também está nesse ranking.

De acordo com dados do Conselho Federal de Farmácia, a Bahia liderou o aumento nas vendas de medicamentos psiquiátricos no Brasil, com um crescimento de 62% entre 2019 e 2022. Em números absolutos, foram vendidas 4.568.582 unidades de antidepressivos e estabilizadores de humor em 2022, contra 2.826.604 unidades em 2019.

Além disso, a Bahia também apresentou um aumento significativo nas vendas de anticonvulsivantes e anti epilépticos, com um crescimento de 33% no mesmo período. Foram vendidas 4.754.527 unidades em 2022, contra 3.580.728 unidades em 2019. .

De acordo com o Conselho Nacional de Farmácia, os números refletem a crescente demanda por tratamentos de saúde mental no estado, especialmente após a pandemia de COVID-19, que teve um impacto significativo na saúde mental da população brasileira.

Os medicamentos psiquiátricos e antidepressivos mais vendidos tanto no Brasil como na Bahia incluem Amitriptilina, conhecido por suas propriedades sedativas e calmantes; Venlafaxina: utilizado para tratar depressão e ansiedade; Escitalopram, indicado para tratamento de longo prazo da depressão; e o Bupropiona, utilizado para tratar transtornos depressivos e também para controle do tabagismo. Também estão nessa lista outros medicamentos mais antigos, como a Fluoxetina, que ajuda no controle da ansiedade; Pondera, antidepressivo amplamente utilizado; dentre outros.

Apesar de aparentemente o antidepressivo ser um dos caminhos mais fáceis para combater a depressão – considerada o mal do século XXI, psiquiatras e cientistas apontam riscos que o uso em excesso dos medicamentos pode causar. Dependência e acentuação de outros transtornos psiquiátricos estão na lista, principalmente quando o diagnóstico e o tratamento não ocorrem de maneira adequada.

“Não basta apenas o psiquiatra receitar uma medicação. È preciso terapia, psicoterapia, acompanhamento médico e terapêutico constante. Senão, o que vai acontecer é dar murro em ponta de faca, enxugar gelo, pois o problema nunca vai ser curado na raiz. As vezes, nunca vai ser curado mesmo, mas pode ter seus sintomas amenizados com o tratamento terapêutico em concomitância com o psiquiátrico”, explica o psicólogo e psicanalista Artur Azevedo Machado.

Ainda conforme os dados do Conselho, o incremento nas vendas registrado no ano passado toma proporções ainda maiores considerando que a venda de estabilizadores de humor explodiu de 2019 para 2020, como reflexo da pandemia. O aumento foi de 17% no período do isolamento social, sendo que o número de unidades vendidas naquele ano mais que dobrou em São Paulo, Espírito Santo e Paraná, comparando-se com o ano anterior. Nestes estados foram registrados índices de 118%, 108% e 102% de aumento, respectivamente.

“O Brasil é um país com uma grande diversidade cultural, econômica e social, e isso pode contribuir para a prevalência de sintomas de depressão. Problemas econômicos, desigualdade social levam a sensação de injustiça e fracasso. A violência e a insegurança também”, comenta o psiquiatra fluminense Orlam Gomes Araújo.

Redes sociais pressionam sociedade a um padrão de sucesso inatingível

Especialistas alertam que a pressão social para o sucesso, consumo e beleza pode gerar ansiedade e insatisfação, e, a partir disso, um quadro depressivo. Segundo eles, as redes sociais alimentam bastante essa necessidade de atingir o sucesso, uma vez que as pessoas só as utilizam para demonstrar conquistas ou pseudo conquistas.

“É um universo absolutamente cruel e diversos estudos já mostraram o quando o uso excessivo de Instagram, por exemplo, pode ajudar na depressão, na diminuição na autoestima, levando, inclusive, jovens ao suicídio”, comenta Araújo.

“O jovem fica ali 24 horas, rolando a tela, vendo pessoas bonitas, corpos perfeitos, com empregos de sucesso, quando na verdade tudo não passa de uma mentira. Mas elas se comparam. As redes sociais têm uma função de comparação. O excesso de coachings dando conselhos impossíveis, dizendo que as coisas são fáceis, basta querer… Quando na verdade, viver é difícil e as pessoas precisam entender isso”, explicou o especialista.

As redes sociais podem prejudicar pessoas de todas as idades através da comparação social, quando as pessoas se comparam negativamente com os outros, sentindo-se inadequadas ou infelizes. Cyberbullying, que se trata de assédio online, aumentando o estresse e a ansiedade; isolamento provocado pelo excesso de uso das redes sociais e a pressão para perfeição: As redes sociais podem criar uma imagem irreal de perfeição, contribuindo para a insatisfação e a baixa autoestima.

Fonte: Tribuna da Bahia

Por Hieros Vasconcelos

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